E lá vou eu em mais uma noite perdida em Brasilia. Não tenho a menor noção de onde ir, o que fazer, que festa vai ter. Apareço no Lago norte para descobrir que fui convidado para uma festa monótona e vazio. Saio fora logo. De fracasso, basta eu. Agora é 2005, ano novo, vida nova.
Acabo parando numa festa Hip Hop no Lago Sul. Sabe quando você se sente completamente deslocado? Poisé, esse era eu. Não entendo nada de Hip Hop, não escuto e não gosto. Mas estava lá, fazer o quê? Mulheres gostosas pulavam ao som de uma batida grave e uma rima incompreensível. Aproveite e curta, me diziam o tempo todo. Como, sem distorção?
Fico pensando na vida. Penso em como posso eu, com quase 30, parar numa festinha de pós-adolescentes, cheia de gente desconhecida, com um som horrível. Será o desespero? Uma tentativa de ser jovem? Vejo algumas figuras que até então tinham uma banda de Ska porque Ska era a moda. Hoje eles curtem Hip Hop e ontem Eletrônico. Sempre na moda. tsc tsc tsc. Pobres contados. Perguntam o que estou fazendo. Estou nos anos 60, com uma banda de surf instrumental! Eu sempre fora de moda. E depois quer pegar alguém. Mané! Fazer o quê?
Começa o Black Music. Acho bem melhor, mas dançante, sei lá. Tenho a impressão que alguém "tocou" a música, não foi um feita no micro, ontem. 3, 4, 10 música e trocam por... ragga. Vai tomar no cu. isso lá é música? Preto domina a cena música desde os anos 50 e me põe logo a pior coisa, junto ao funk carioca, para tocar? Ninguém merece! Volto pra casa com a sensação de que nunca irei pegar ninguém. Não sou da moda, não sou bonito, não sou malhado, não sou cult, não sou nada. E minha mãe me cobra um neto. Acho que vou adotar um. Se depender das festas em Brasilia, tadinha, vai morrer sem netos.