Já passava das sete e eu ainda estava nas máquinas medievais de emagrecimento. Grunido, grunido, ranger, suspiro e lá vou eu tentando perder 5 quilos. Só assim sairei da categoria levemente obeso para padrão universal de beleza.
Mas não foi para reclama das mazelas da moda que vim aqui hoje. Já passava das sete quando recebo um telefonema mágico.
- Consegui seu convite para o Festival Gastronômico.
- Uhuuu!
Tomo banho em milésimos e me mando pro local. Manobrista, gostosas e viados. É esse o local. Pego meu convite, observo as figurinhas em volta e adentro ao paraíso dos levemente, muito ou fantasticamente obesos.
São 56 restaurantes espalhados num salão de festas relativamente pequeno. Mando ver numa taça de vinho meia boca, abro o guia e penso na estratégia de guerra. Comer somente em restaurantes que ainda não comi, tentar provar coisas que eu não teria coragem, beber para ficar tonto e, quem sabe, conhecer uma dessas delicias que deveria estar na prova também.
Logo nos primeiros passo, vejo uma ruivinha familiar, uma antiga amiga. Chego como quem não quer nada já querendo tudo e descubro que ela está sozinha. Ofereço-lhe companhia. Ela aceita! É malandro, o trem começou quente.
Pensando na minha viagem, vou de cara a um restaurante francês. Minha amiga ruivinha me segue.
- Cuscuz de Salmão com patê de fígado e ervas. Aceita?
- Manda.
Mastiga, mastiga e... puta que pariu, quem disse que isso é bom? Dou um disfarçada e largo o prato.
- Você não gostou? - pergunta a ruiva ardendo em chamas de prazer com o diabo do prato francês.
- Horrível! - respondo com cara de nojo. Não sei porque ainda tento comer comida francesa.
- A culinária francesa é assim, eu adoro. Ela se desenvolveu durante a guerra. Eles tinham que improvisar com o que tinham.
- Bom, meus antepassados não tinha o que comer nas senzalas e inventaram a feijoada. Isso não é desculpa para fazer essa merda.
- Nunca tinha pensando assim... é, você tem razão, vamos tentar outra coisa.
E de balcão em balcão, fui enchendo a pança de cordeiro com geleia de menta, carneiro com mussarela de búfala, porco com batata apimentadas, costela do Outback. Uma pausa. Podem me matar os modernóides, mas a costela do Outback foi umas das mais sensacionais comidas provadas no recinto. Tinha fila para prova.
Dez horas no relógio e eu mal conseguia andar. 2 horas e 12 balcões depois, num espasmo de esforço, me largo num sofazinho na area externa do evento. Como uma jibóia, fiquei lá a assistir o desfile da fauna local. Uma gostosa aqui, um senhor ali, peruas aos montes e viados como de praste. Depois de um leve pit stop, reuni força e busquei um sorvete no Marietta. Ahhhh, sorvete de paçoca! Paçoca! Para a noite ser perfeita, só faltava eu provar a ruiva. Provando a regra de que nada é perfeito, voltei pra casa sozinho, passando mal (yes!!) de tanto comer e pronto pra próxima. Só não vou comer por 24 horas. Há limites.