Quarta-feira, Março 29, 2006

Outro?

A Viagem pela Europa contada passo a passo.

Para refletir

O Rafael Galvão disse tudo que eu sempre quis de maneira simples e fácil de entender. Eles ainda são os melhores.


Uma coisa me incomoda quando as pessoas falam sobre Beatles: aqueles que dizem que Lennon e McCartney pioraram como compositores partir do fim da banda.

É uma mentira soez, diria Lennon. Qualquer pessoa pode perceber isso fazendo um experimento simples.

Pegue um ano, qualquer ano. 1970, por exemplo. Escolha 5 músicas do disco de McCartney daquele ano, 5 do disco de Lennon, 2 de George Harrison e dê qualquer coisa para Ringo cantar. Em termos de composição, o disco vai estar à altura de qualquer disco dos Beatles.

A minha seleção seria esta:

1. God
2. Mother
3. Working Class Hero
4. Well Well Well
5. Love
6. Every Night
7. Maybe I'm Amazed
8. That Would Be Something
9. Junk
10. Momma Miss America
11. My Sweet Lord
12. All Things Must Pass
13. Fool to Cry

(Ainda sobrava um compacto com Instant Karma e What is Life.)

1971 seria ainda melhor:

1. Imagine
2. Gimme Some Truth
3. Oh My Love
4. Jealous Guy
5. It's so Hard
6. Uncle Albert/Admiral Halsey
7. The Back Seat of My Car
8. Smile Away
9. Three Legs
10. Eat at Home
11. Apple Scruffs
12. Beware of Darkness
13. Wine, Women, and Loud Happy Songs

(E, de novo, outro grande compacto com Another Day e How?.)

A lista pode seguir indefinidamente; em alguns anos pode-se colocar mais canções de McCartney, em outros mais de Lennon. 1973, por exemplo, seria um ano dominado por McCartney, porque o seu Band on the Run é infinitamente superior ao Mind Games de Lennon. O que acontece, e a minha impressão é a de que isso é o que confunde o pessoal, é que mesmo assim o disco vai soar diferente, mesmo inferior, aos discos dos Beatles.

Em primeiro lugar, depois do fim da banda eles passaram a ter a responsabilidade de encher álbuns inteiros. É lógico que canções que anteriormente seriam vetadas pelos outros membros ou que simplesmente não suportariam a concorrência entravam em seus discos solo, baixando o nível geral. Em um disco dos Beatles Lennon e McCartney tinham que brigar para colocar, digamos, 6 músicas em um disco. Nos anos solo, precisavam se virar para completar um álbum. E mesmo assim é impressionante que tenham conseguido fazer álbuns antológicos como o John Lennon/Plastic Ono Band e Venus and Mars. Sem contar o All Things Must Pass, o álbum triplo de George Harrison.

Ou seja: o que fazia a força dos Beatles é que o material mais fraco, com raras exceções, não passava pelo funil porque tinha mais gente querendo espaço e oferecendo canções de alto nível.

Nos discos solo faltava também a colaboração de cada um. Por exemplo, uma dica aqui, outra ali, uma palavra que se troca ou um acorde que se acrescenta, e tudo muda. Boa parte das composições de Lennon e McCartney são assim, composições de um deles com contribuições às vezes decisivas do outro, mesmo quando menores.

Vai faltar ainda o insight dos músicos. Deve ser fácil demais, para um Lennon ou um McCartney, dizer a um músico de estúdio: "eu quero assim." Uma canção de Lennon no disco de Lennon é uma canção de Lennon, e isso é óbvio. Mas uma canção de Lennon num disco dos Beatles é uma canção de Lennon, McCartney, Harrison e Starr. Todos eles davam seu toque pessoal às músicas, e é isso, principalmente, que falta nos discos solo dos sujeitos. Numa banda, cada um pode dar a contribuição do jeito que quiser. Foi um dos motivos do fim dos Beatles, a necessidade de cada membro de fazer música do jeito que queria, não do jeito da banda.

O único problema é que, por acaso, aquela banda era muito boa.


Se você é daqueles que não gostam dos Beatles, não sabe o que está perdendo.

Quarta-feira, Março 22, 2006

Arroz de festa

Você gosta de arroz. Você até come, mas não gosta de cenoura. Ai te servem arroz com cenoura. Você come, mas prefere arroz puro, é mais saboroso. A cenoura só estraga o que é bom demais.

Você gosta da garota. Você até vai, mas não gosta de feira Mix. Aí você vai com a garota a feira Mix. Você vai, mas prefere muito mais estar só com a garota, é mais divertido. A feira só atrapalha o que já está bom demais.

O que eu quero dizer é: não é porque não vamos a feira Mix com vocês que nós não gostamos de vocês. Pra quê insistir? Vai só, não vai doer!

Quinta-feira, Março 16, 2006

O Francês e a Feijoada.

Já passava das sete e eu ainda estava nas máquinas medievais de emagrecimento. Grunido, grunido, ranger, suspiro e lá vou eu tentando perder 5 quilos. Só assim sairei da categoria levemente obeso para padrão universal de beleza.

Mas não foi para reclama das mazelas da moda que vim aqui hoje. Já passava das sete quando recebo um telefonema mágico.

- Consegui seu convite para o Festival Gastronômico.
- Uhuuu!

Tomo banho em milésimos e me mando pro local. Manobrista, gostosas e viados. É esse o local. Pego meu convite, observo as figurinhas em volta e adentro ao paraíso dos levemente, muito ou fantasticamente obesos.

São 56 restaurantes espalhados num salão de festas relativamente pequeno. Mando ver numa taça de vinho meia boca, abro o guia e penso na estratégia de guerra. Comer somente em restaurantes que ainda não comi, tentar provar coisas que eu não teria coragem, beber para ficar tonto e, quem sabe, conhecer uma dessas delicias que deveria estar na prova também.

Logo nos primeiros passo, vejo uma ruivinha familiar, uma antiga amiga. Chego como quem não quer nada já querendo tudo e descubro que ela está sozinha. Ofereço-lhe companhia. Ela aceita! É malandro, o trem começou quente.

Pensando na minha viagem, vou de cara a um restaurante francês. Minha amiga ruivinha me segue.

- Cuscuz de Salmão com patê de fígado e ervas. Aceita?
- Manda.

Mastiga, mastiga e... puta que pariu, quem disse que isso é bom? Dou um disfarçada e largo o prato.

- Você não gostou? - pergunta a ruiva ardendo em chamas de prazer com o diabo do prato francês.
- Horrível! - respondo com cara de nojo. Não sei porque ainda tento comer comida francesa.
- A culinária francesa é assim, eu adoro. Ela se desenvolveu durante a guerra. Eles tinham que improvisar com o que tinham.
- Bom, meus antepassados não tinha o que comer nas senzalas e inventaram a feijoada. Isso não é desculpa para fazer essa merda.
- Nunca tinha pensando assim... é, você tem razão, vamos tentar outra coisa.

E de balcão em balcão, fui enchendo a pança de cordeiro com geleia de menta, carneiro com mussarela de búfala, porco com batata apimentadas, costela do Outback. Uma pausa. Podem me matar os modernóides, mas a costela do Outback foi umas das mais sensacionais comidas provadas no recinto. Tinha fila para prova.

Dez horas no relógio e eu mal conseguia andar. 2 horas e 12 balcões depois, num espasmo de esforço, me largo num sofazinho na area externa do evento. Como uma jibóia, fiquei lá a assistir o desfile da fauna local. Uma gostosa aqui, um senhor ali, peruas aos montes e viados como de praste. Depois de um leve pit stop, reuni força e busquei um sorvete no Marietta. Ahhhh, sorvete de paçoca! Paçoca! Para a noite ser perfeita, só faltava eu provar a ruiva. Provando a regra de que nada é perfeito, voltei pra casa sozinho, passando mal (yes!!) de tanto comer e pronto pra próxima. Só não vou comer por 24 horas. Há limites.

Quarta-feira, Março 15, 2006

Não seria ônibus?

"NASA: lançamento do vaivém adiado até 1 de Julho"
Diário Digital - Portugal


Ok, ônibus espacial não é um nome muito bacana, mas vaivém é foda!

Segunda-feira, Março 06, 2006

Black Music

Não tinha visto Ray ainda. É impressionante a quantidade de clássicos do Blues, Gospel, Soul, Jazz, Country e R&B que passaram por ele. Preciso urgentemente atualizar minha discoteca e incluir vários discos dele a minha coleção. Estou absolutamente encantado. Muitas teorias me passam pela cabeça, mas não sou capaz de coloca-las aqui, prefiro beber e discutir num bar da cidade. Alguém se habilita?